25 de agosto de 2026 a 25 de setembro de 2026

PARE

Rua Padre Manuel de Chaves, 44 (estacionamento R. Amauri, 59)

PARE

Vivemos um tempo em que construir parece ser um imperativo. O concreto avança, os vazios diminuem e a paisagem transforma-se continuamente. “Pare” propõe uma interrupção desse movimento: um convite para observar aquilo que normalmente passa despercebido.

A exposição reúne Marcos Pereira de Almeida, Herbert Sobral Letícia Lampert e Giovanna, três artistas que, por caminhos distintos, investigam o universo da construção. Concreto, cerâmica, matrizes de borracha para impressão e a própria arquitetura das cidades deixam de cumprir suas funções originais para se tornarem linguagem artística. Ao deslocarem esses materiais e referências de seu contexto cotidiano, os artistas transformam aquilo que antes servia para erguer, registrar ou organizar o espaço em experiências de percepção, revelando novas relações entre matéria, geometria, memória e paisagem.

Embora partam de pesquisas distintas, os artistas compartilham um mesmo interesse pela geometria como linguagem. Um trabalha pela adição, outro pela subtração e outro pela transformação da matéria.

Nas obras de Marcos Pereira de Almeida, matrizes de borracha utilizadas em processos de impressão deixam de ser apenas ferramentas para assumir protagonismo. Ao sobrepor camadas de tinta, o artista constrói geometrias que revelam a história inscrita nesses materiais. O gesto de imprimir cede lugar ao gesto de construir, transformando superfícies marcadas pelo uso em composições onde memória, matéria e cor coexistem.

Na pesquisa de Letícia Lampert, a operação acontece no sentido inverso. A artista parte da cidade para imaginar outra paisagem possível. Por meio de deslocamentos e apagamentos, desconstrói a arquitetura existente, eliminando excessos visuais e narrativos até revelar formas essenciais. O que permanece são estruturas depuradas e silenciosas, nas quais a geometria surge como um exercício de síntese e de respiro diante da saturação do ambiente urbano.

Herbert Sobral desenvolve seus próprios projetos em que utiliza o suporte de azulejos, pinturas, desenhos, cédulas e bonecos para construir a sua própria linguagem, sempre voltada para a representação das memórias do cotidiano, onde aborda temas de comportamento, pensamentos e atos realizados através de uma cultura. fazendo sempre algo presente na vida de todos a idéia do artista é levar o expectador para dentro da sua obra por meio de uma lembrança. sua obra é inuenciada por questões sociais e políticas, além de temas como a natureza e a espiritualidade.

Já a artista e arquiteta Giovanna Giosa transforma materiais tradicionalmente associados à construção civil, como o concreto e a cerâmica, em trabalhos que brincam com a ideia de sua função original. O peso torna-se equilíbrio, a estrutura converte-se em contemplação e a matéria deixa de ser apenas suporte para assumir uma dimensão poética.

Nesse contexto, “Pare” torna-se mais do que um título: é um gesto. Um convite para interromper o ritmo acelerado da construção permanente e perceber que o espaço também se constitui pelo vazio, pela pausa e pela observação. Ao transformar, retirar ou acrescentar, os artistas revelam que construir não é apenas erguer. Também é editar, reorganizar, imaginar e dar novos significados à matéria.

Em um momento em que as cidades parecem crescer sem pausa, a exposição propõe outro movimento: menos voltado ao acúmulo e mais atento ao essencial.